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domingo, 22 de novembro de 2015



Uma excelente notícia para os moradores, estudiosos e professores que vivem, pesquisam ou atuam na região da Baixada de Jacarepaguá. Foi lançado em julho o livro “O asilo e a cidade”, coletânea de textos sobre a antiga Colônia Juliano Moreira, sob a coordenação das pesquisadoras Ana Teresa Venancio e Gisélia Franco Potengy.




São ao todo nove capítulos, que abordam o mesmo tema sob pontos de vista diferentes. No primeiro capítulo, o(a) leitor(a) tem a oportunidade de conhecer a história da ocupação do antigo Sertão Carioca, com todos os conflitos a ela inerentes, de autoria de Renato Dória (professor e pesquisador do IHBAJA). O segundo capítulo nos oferece um rico painel da evolução urbana da Colônia, produzido por Renato Gama-Rosa e Ana Paula Casassola Gonçalves. Em “E eu sei doutor?”, capítulo escrito por Janis Cassília (outra professora e pesquisadora do IHBAJA), temos uma excelente análise sobre a experiência da doença e as falas de internos da Juliano Moreira durante a vigência do Estado Novo de Getúlio Vargas. O quarto capítulo trata das memórias coletivas e identidades sociais na história do Pavilhão Nossa Senhora dos Remédios, trabalho esse coletivo, concebido por Ana Venancio, Laurinda Rosa Maciel, Anna Beatriz de Sá Almeida, Bruno Dellacort Zilli e Silvia Monnerat.

No capítulo cinco, também construído coletivamente, Anna Beatriz, Ana Carolina de Azevedo Guedes e Pedro Henrique Rodrigues Torres tratam da doença mental e da tuberculose nas mulheres internas do mesmo Pavilhão, entre 1940 e 1973. No capítulo seguinte, as práticas católicas na Colônia são estudadas por Sigrid Hoppe, tendo por base a atuação da igreja da instituição e a festa de São Cristóvão.

O capítulo sete, de autoria de Renato Dória e Leonardo Soares (outro professor e pesquisador do IHBAJA) resgata a história de Jacinto Luciano Moreira, cidadão negro, médico da Colônia e militante do Partido Comunista do Brasil. Sua bela trajetória, entre 1945 e 1962, se revela por meio da consulta de importante conjunto de documentação do fundo da polícia política do Rio de Janeiro. O oitavo capítulo também faz um mergulho na história e nos traz a história da assistência psiquiátrica na instituição durante o governo JK, tema da pesquisa de André Luiz de Carvalho Braga. O último texto é de autoria de Sigrid Hoppe e Gisélia Potengy, que aparecem novamente para falar sobre a identidade e apropriação do espaço no bairro Colônia.

As várias pesquisas presentes no livro contaram com o financiamento da FAPERJ, CNPq e Fiocruz. E os principais acervos de documentação usada por aquelas foram encontradas no Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (APERJ) e no Núcleo de Documentação e Pesquisa do Instituto Municipal de Assistência a Saúde Juliano Moreira da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (IMASJM-SMS-RJ).

É um motivo de orgulho para a sociedade civil da região contar com um estudo como esse, de caráter multi-disciplinar, que ilumina tanto o passado como a atualidade do território, expondo suas contradições, lutas, embates e triunfos, de segmentos costumeiramente marginalizados (internos, “loucos”, pobres, mulheres, negros, comunistas etc.). Conforme enfatizam as organizadoras do trabalho, Ana Venancio e Gisélia Potengy, buscou-se “demonstrar várias formas sociais, pelas quais a Colônia se fez presente na história da cidade do Rio de Janeiro: como expressão de políticas públicas de saúde, das transformações urbanas do espaço que ocupa, dos sujeitos que a constituíram e das representações em torno da loucura que ali circularam.”


IHBAJA